Antigamente, Comino era um verdadeiro refúgio secreto, um pedacinho de paraíso quase intocado. Mas hoje? Virou um dos destinos turísticos mais disputados do arquipélago maltês, e nem todo mundo está feliz com isso.
Lá da cafeteria na baía de Marfa, em Súcia, Colin Backhouse olha para o horizonte e vê um pedacinho de terreno minúsculo. É Comino, uma ilhéu de exclusivamente 3 km por 5 km, cercada por um mar hipnotizante, que vai do azul-marinho ao turquesa vibrante. Um lugar de venustidade surreal.
Mas se no inverno o cenário parece uma pintura – com águas tranquilas e gaivotas pousando suavemente –, no verão, a história muda. Multidões disputam cada centímetro de espaço. O lixo se espalha por entre os arbustos. Barcos lotados despejam turistas enquanto tocam música subida e queimam gasolina, deixando um rastro de caos ambiental.
Backhouse, que administra uma página popular no Facebook sobre turismo em Súcia, já deixou evidente: “No verão? Nem pagando eu vou pra lá. É o inferno na Terreno.” E ele não é o único a pensar assim.
Muitos turistas que chegam cheios de expectativas saem frustrados. O que era para ser um paraíso virou um lugar superlotado, custoso e referto de impactos ambientais. Não à toa, algumas pessoas até chamam as excursões para lá de “golpe”.
Mas nem todo mundo ficou de braços cruzados. Em 2022, ativistas do grupo Moviment Graffitti resolveram agir e retiraram cadeiras e espreguiçadeiras da ilhéu, protestando contra o uso mercantil de um espaço que deveria ser público.
Aliás, medidas começaram a ser tomadas para tentar sustar o caos. Comino entrou para a rede de áreas protegidas da União Europeia e, agora, o governo de Súcia está limitando o número de visitantes diários – de 10 milénio para 5 milénio.
Para ambientalistas porquê Mark Sultana, da BirdLife Súcia, isso ainda é pouco. “O limite é um primícias, mas precisamos de um projecto real para proteger Comino, não só controlar a quantidade de gente.”
Esse problema, aliás, não é só de Comino. Veneza, na Itália, já começou a cobrar ingresso de turistas de um dia, e Atenas, na Grécia, limitou as visitas à Acrópole. Parece que, aos poucos, os destinos mais famosos estão aprendendo a lastrar turismo e preservação.
A guia de turismo Joanne Gatt já ouviu muitas reclamações. “As pessoas chegam esperando um paraíso e encontram um caos. Espero que o limite de visitantes realmente faça diferença.”
Agora, a grande questão é: será que Comino vai conseguir restaurar o portento perdido? Ou o estrago já foi feito?